Quilting

História do Patchwork e Quilting

Patchwork e quilting são parceiros no mundo das artes manuais, tem estado juntos por milhares de anos, cada um com sua história retendo suas próprias características. Ambos podem ser funcionais e/ou decorativos e ambos tem sido reinterpretados continuamente por sucessivas gerações.

Como prática habitual, o quilting retrocede a muitos séculos em muitas partes do mundo, mas como os tecidos são frágeis, sobreviventes antigos são raros. A palavra quilt provem do latim “culcita”, uma espécie de colchão ou almofadão enchido com algo macio e quente (assim como penas, lã ou cabelos) e usado para se deitar ou cobrir.

As evidências da existência do quilting retrocedem a vários séculos antes dos romanos. Locais de escavações (nos quais objetos foram preservados dos efeitos destruidores da luz, do ar, poeira e do uso) tem fornecido os achados mais antigos. Uma estatueta de marfim esculpido, encontrada no Egito e datado de 3.400 AC, mostra um rei do Baixo Egito envolto em um manto no qual a decoração gravada tem as características de um quilting e o padrão emprega as mesmas combinações de diamantes ou losangos, tão populares hoje em dia. Um tapete funerário, achado na Rússia no chão de um túmulo de algum chefe e datado algo entre 100 AC a 200 DC  é provavelmente o item mais antigo de quilting que sobreviveu. Um dos mais bonitos correlatos de sobreviventes é um elegante chinelo em quilting encontrado em um monte de lixo de uma guarnição do exército Tibetano, na Estrada da Seda e provavelmente feito entre 750 e 860 DC. É destes raros e muito danificados fragmentos que se procura construir uma história para o antigo quilting.

Um dos mais importantes usos do quilting em muitas sociedades antigas foi na confecção de armaduras pessoais. Fortes, bem assentados e bem “quilted”, os tecidos faziam uma efetiva defesa contra golpes de espadas, lanças e flechas. Eram usados pelos exército chinês e japonês e pelo “Rajputs” da Índia e através da Europa até a Idade Média.

Artigos sobreviventes ocasionais como alguns quilts encontrados na Sicília, os quais datam do final do século catorze, nos dão uma pequena evidência direta de estilos e técnicas em uso em sociedades e períodos particulares e somente quando nós vamos bem a fundo na Idade Media que encontramos suficientes evidências escritas para construir uma história coerente. Mas, mesmo estas notas escritas, contam somente a parte da história que se refere aos ricos, porque as referências ocorrem nos relatos e inventários das famílias das classes superiores. Porém é razoável supor que as mulheres das famílias pobres que faziam os quilts a que estes relatos se referem, também devem ter usado quilts nos seus lares. Portanto, quilts e vestimentas quiltadas devem ter sido usadas tanto em lares mais ricos como nos mais pobres.

Há também uns poucos exemplos sobreviventes de patchwork, precisamente porque ele era uma técnica de reciclagem, usando peças que muitas vezes já haviam sido bem usadas de outra maneira. Algo como “fazer e remendar”.

Até o início do século XVII, muitos tecidos eram produzidos em casa em teares domésticos, onde primeiro se plantavam as fibras, depois se torciam os fios e finalmente teciam os panos. Estes eram bens valiosos e somente eram descartados quando usados ao máximo e seu possível uso estivesse esgotado. O seu fim era muitas vezes em patchwork.

Bons exemplos de quilting inglês vieram do começo do século XVIII. Estes sobreviventes eram muitas vezes partes de vestimentas e colchas para camas. O patchwork inglês não era necessariamente “quilted”. Muitas vezes era somente liso, e conseqüentemente menos robusto e durável.

Patchwork e Quilting eram ocupações comuns na maioria das sociedades, precisamente até o tempo em que revestimentos e cobertas de cama manufaturados ganharam disponibilidade geral. Depois continuaram associadas aos pobres que não podiam adquirir as peças prontas, manufaturadas. Esta associação entre patchwork e pobreza durou ate a mudança dos padrões sociais após a segunda Grande Guerra, com mais mulheres saindo de casa para trabalhar.

Certas áreas das Ilhas Britânicas tem particularmente tradições muito fortes de patchwork e quilting.

Eles produzem suas distintas peças e estilos de quilting e são os lugares onde a popularidade do patchwork e quilting foi menos afetada pelas mudanças sociais deste século. Os exemplos mais marcantes são o País de Gales e as regiões do norte (Northumberland, Durham e pôr extensão, Cumbria). Quilting elaborado e denso em padrões tradicionais e característico de ambas as regiões. O padrão é produzido inteiramente pelo desenho de quilting. Você encontrara eles descritos como “North Country Quilts” ou “Durham Quilts”. Os quilts típicos de Gales apresentam grandes desenhos de patchwork em tecidos ricamente coloridos em tons escuros. O resultado e freqüentemente pesado e vivo. No passado as camadas destes quilts eram geralmente de lã de carneiro ou lençóis reaproveitados.

Na América do norte, patchwork e quilting faziam parte da cena social, particularmente nas áreas rurais onde eram praticados desde os tempos da colonização. Para as mulheres que muitas vezes viviam em lugares isolados e mudando de um lugar para outro, patchwork e quilting eram simultaneamente uma ferramenta de sobrevivência, um escape social e em geral a única forma de expressão criativa. Um escape social devido a cooperação na montagem de itens grandes que era um motivo para convidar vizinhas a se juntar para alguma conversa, prazer e simpatia mutua enquanto usavam suas agulhas.

A característica americana de trabalhar em blocos certamente se desenvolveu pôr simples e práticas razões. Blocos são fáceis de carregar quando a família se mudava e eles podiam ser trabalhados em horas ociosas tanto em períodos de mudança quanto em espaços pequenos. Somente quando todos os blocos estavam completos era necessário achar espaço para montar e completar com a adição de bordas e quilting.

Evidentemente, colonos de diferentes origens trouxeram estilos e praticas de suas localidades.

Características que são visíveis nos trabalhos de hoje em dia. Os quiltis dos “Penylvania Deutsch” (erroneamente chamados de Dutch) pôr exemplo retém fortes características de seu passado na Alemanha, usando apliques de motivos populares semelhantes aos pintados nos seus moveis e casas.

É americano o quilting que tem tido uma enorme influencia nos anos recentes em volta do mundo, particularmente em lugares como Austrália e Japão. Nos anos 70, estudantes de profissões populares começaram a coletar patchwork quilts tradicionais. Eles não somente os coletaram mas os penduraram em paredes, fazendo as pessoas admirar e aprecia-los em parte pôr sua semelhança com certas pinturas modernas. Quando artistas têxteis começaram a ter interesse em quilts e faze-los para exibição em paredes mais que utiliza-los em camas, a arte quilt tinha nascido.

Existem muitas razoes para se fazer um quilt, assim como para as pessoas que os fazem. Eles podem ser simplesmente algo para manter as pessoas quentes. Eles podem ser agradáveis copias de velhos quilts, celebrando o passado ou inovadoras  interpretações destes, ambos como um tributo as habilidades do passado e uma de realizações do presente. Eles podem brincar com padrões e texturas pôr puro prazer, pelo exercício e pela beleza do resultado. Porque permanece assim tão popular? Justamente devido a sua versatilidade, patchwork e quilting é uma das poucas áreas de expressão que tem força de unir e satisfazer os que amam o usável e os que amam a beleza, os que amam o passado e os que olham o futuro. E que continue assim pôr muito tempo!

(in: “The Quilter’s Handbook”- Rosemary Wilkinson, That Patchwork Place)